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“Em nenhum lugar das Escrituras Sagradas, vamos encontrar que as nossas orações são irrelevantes ou não importam para Deus! … ou que ele esteja dormindo e só vai acordar com o som das nossas vozes! Pelo contrário, usando termos humanos, elas nos asseguram que os ouvidos de Deus estão abertos ao nosso clamor … que os seus braços estão estendidos em nosso favor – a todo e qualquer instante!”

 Dimas Pezzato
 Que diferença faz a oração?

Com o Pé na Cova, mas de Cabeça Erguida June 3, 2008

Escrito por Maer em : Divrei Olam, Maer , trackback

Depois de ter começado a falar sobre Ecclesiastes 7:1a, achei que faria sentido falar então sobre como funciona o versículo todo.

O bom nome é melhor do que um perfume finíssimo e o dia da morte é melhor
do que o dia do nascimento. (Eclesiastes 7:1)

No artigo anterior, vimos a estrutura da primeira parte do versículo. Agora temos que ver como um bom nome está relacionado ao dia da morte. Bem, em primeiro lugar, é difícil entendermos esse versículo se não levarmos em consideração o que Qohelet, também chamado Eclesiastes ou Pregador, tem dito até o capítulo 6. Superficialmente, parece que Qohelet está simplesmente dizendo que uma boa reputação é mais valiosa do que um óleo/perfume/ungüento fino. Talvez isso refere-se as pessoas pobres que estão prestes a morrer e não tem nem dinheiro suficiente para os preparativos do seu enterro. Nesse caso, o que Qohelet fala certamente traria conforto a essas pessoas. Mas o problema é que Qohelet várias vezes falou que ninguém será lembrado depois da morte (1:11, 2:16). Como podemos então entender o que ele está dizendo aqui?

Há várias maneiras de entender esse versículo. A interpretação que eu acho que faz mais sentido, pois leva em consideração os argumentos que Qohelet tem feito até agora, é que a segunda parte do versículo está fazendo um comentário satírico da primeira parte. O comentário seria mais ou menos assim:

Não fale de uma boa reputação antes do dia da morte.

Um livro chamado Sirach, ou Eclesiástico, escrito no segundo século A. C. diz algo parecido:

“Não bendiga ninguém antes da morte; um homem será conhecido através de seus filhos” (Sirach 11:28, minha tradução)

Quando nascemos, não temos garantia que teremos uma boa reputação. Apenas depois da morte que a nossa reputação pode ser verdadeiramente estabelecida. Nesse sentido, o dia da morte é melhor do que o dia do nascimento. Qohelet fala isso porque ele observa que não temos controle nenhum sobre o que acontece ao nosso redor. De certa forma, ele está dizendo que, enquanto você estiver vivo, não tem como saber se algo acontecerá e que irá destruir o seu “bom nome”. Isso volta ao ponto que Qohelet tem enfatizado no seu livro até agora: devemos pensar sobre a vida do ponto de vista da morte.

Livros de sabedoria, como Qohelet, nos convidam a pensar sobre essas coisas. Então deixo vocês com essas perguntas: será que Qohelet está correto em sua perspectiva de que o dia da morte é melhor que o dia do nascimento? Quais seriam as implicações para nós hoje como cristãos?

Como o pastor Dimas diria:

Pensem sobre isso.

 

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