“O empenho em conhecer e obedecer a vontade de Deus é uma evidência de legitimidade de que – de fato – somos discípulos/seguidores de Jesus! Pessoas que se dizem cristãs, mas que não se interessam por conhecer e obedecer a vontade de Deus em suas vidas, são – no mínimo – uma grande contradição e revelam estar numa condição de imaturidade!”Dimas Pezzato
A vontade de Deus
Saboreando as Palavras August 3, 2008
Escrito por Maer em : Divrei Olam, Maer , trackback
(mas satisfação está na lei do SENHOR, e nessa lei medita dia e noite. Salmo 1:2)
No Divrei Olam dessa semana, gostaria de compartilhar com vocês parte de um artigo escrito por Eugene Peterson sobre o aspecto da palavra “meditar.”
De Eugene Peterson
Anos atrás eu tinha um cachorro que tinha uma queda por ossos grandes. A vantagem dele é que morávamos perto de um monte arborizado no estado de Montana. Frequentemente em seus passeios, ele encontrava a carcaça de um veado que tinha sido atacado pelos coiotes. Mais tarde ele aparecia em nossa varanda perto do lago carregando o seu troféu, geralmente uma perna ou costela. Ele era um cachorrinho pequeno e o osso era quase sempre do tamanho dele.
Aqueles que já tiveram um cachorro conhecem a rotina: ele corria e pulava de alegria na nossa frente com o seu prêmio, balançando o rabinho todo orgulhoso do seu achado, buscando a nossa aprovação a qual, é claro, demonstrávamos a ele. Elogiávamos-no dizendo que era um cachorro e tanto. Mas, depois de algum tempo, cansado dos nossos elogios, ele carregava o osso por uma certa distância para um lugar que ninguém pudesse ver, geralmente sob a sombra de uma rocha coberta por musgos, e começava a morder o osso. Os aspectos sociais relacionados ao osso já eram algo do passado; agora o prazer era solitário. Roía o osso, viráva-o daqui pra lá, lambía-o, atacáva-o. De vez em quando ouvíamos um barulhinho ou um rugido, parecido com o barulho que um gato faria nessa situação. Obviamente ele estava degustando sem pressa de terminar. Depois de umas duas horas de proveito, ele enterrava o osso retornando no dia seguinte para começar tudo de novo. Um osso médio durava mais ou menos uma semana.
Sempre tive prazer em ver a satisfação do meu cachorro, a sua seriedade extrovertida, a espontaneidade infantil que estava nesse momento totalmente empenhado no que é “realmente necessário.” Mas imagine o prazer que tive depois quando encontrei por acaso uma frase ao ler Isaías e deparei-me com o profeta poeta observando algo semelhante ao que eu gostava tanto no meu cachorro, apesar do fato de que o animal dele era um leão ao invés de um cachorro: “assim como quando o leão, o leão grande, ruge ao lado da presa…” (Isaías 31:4). “Ruge” é a palavra que me chamou a atenção e me deu aquele “tcham” de prazer. O que o meu cachorro fazia com o seu precioso osso, fazendo aqueles barulhos de prazer ao roê-lo, desfrutando e saboreando o seu prêmio, era a mesma coisa que o leão de Isaías estava fazendo com a sua presa.
O ponto principal da minha alegria foi notar a palavra em hebraico que foi traduzida aqui como “ruge” (hagah) mas que é normalmente traduzida como “meditar,” como a frase no Salmo 1 que descreve os que são bem-aventurados cuja “satisfação está na lei do SENHOR, e nessa lei medita dia e noite.” Ou no Salmo 63: “no meu leito, quando de ti me recordo e em ti medito, durante a vigília da noite.” Mas Isaías usa essa palavra para referir-se a um leão rugindo sobre a sua presa da mesma forma como o meu cachorro atacava um osso.
Hagah é uma palavra que os nossos ancestrais hebraicos usavam freqüentemente para a leitura do tipo de escrito cujo assunto é as nossas almas. Mas, “meditar” é uma palavra pacata demais para descrever o seu significado. “Meditar” parece que se encaixa mais com o que eu faço numa capela ajoelhado com uma vela acesa no altar. Ou com a minha esposa sentada num jardim de rosas com a Bíblia aberta em seu colo. Mas quando o leão de Isaías e o meu cachorro meditavam, eles mastigavam e engoliam, usando dentes e língua, estômago e intestinos: o leão de Isaías meditava no seu cabrito (se é que a sua presa era essa) e o meu cachorro meditava no seu osso.
Há um certo tipo de literatura que convida esse tipo de leitura. Com um ronronar leve e baixos rugidos, experimentamos e saboreamos, antecipamos e ingerimos o doce e o apimentado, pedaços de palavras que dão água na boca e revigoram a alma – “Experimente e veja que o Senhor é bom!”
… estou interessado em cultivar esse tipo de leitura.
Vejo neste artigo dois pontos importantes. O primeiro é que a Bíblia é o tipo de livro que nos convida a meditar. O segundo é que meditação bíblica não é um tipo de yoga cristã, mas uma expressão audível do prazer que temos em ler palavras que trazem vida. Palavras que são compreendidas com a nossas mentes, direcionadas aos nossos corações mudando a maneira como vivemos.
Maer
Traduzido por Maer
Peterson, Eugene H. Words to savor: slow down, you read too fast. Christian Century 119 no 25 D 4-17 2002, p 18-19.
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Palavras chaves: Divrei Olam • Eugene Peterson • Meditação • Palavra de Deus
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